Aguarde, carregando...

Facebook  Instagran  Youtube  Whattsapp  Contato
Asbran

Dieta com baixo valor em hidrato de carbono: contra ou a favor?
Postado em 28/05/2014 | fonte - Notícias Magazine - Célia Rosa


Para sermos magros e saudáveis precisamos voltar a comer como os nossos antepassados da Idade da Pedra? 

No mundo das ciências da Saúde e da Nutrição sempre surgem argumentos a favor e contra as dietas com baixos valores em hidratos de carbono. Certo é que a paleolítica reúne cada vez mais adeptos, mas também tem levantado discussão.

E se de repente lhe dissessem que para perder peso, ganhar formas e manter-se saudável só é preciso comer como no tempo dos homens das cavernas? E se acrescentassem que pode comer gorduras? 
E que o princípio da diversidade alimentar baseado na regra do pode comer de tudo um pouco é incoerente e prejudicial ao organismo? E se tudo isto for verdade?

Pois é, o mundo das ciências da Nutrição e da Alimentação fervilha entre novas ideias e saberes. Entre tamanho debate só há consenso: comemos mais e pior do que no passado. E é por isso que ficamos gordos e doentes.

TENTAÇÃO

Desde os anos 1970 que a comunidade científica discute os possíveis benefícios das dietas com baixos valores de hidratos de carbono – presentes sobretudo nos alimentos ricos em cereais, como o pão, as massas, o arroz, a batata. 

"Nas últimas décadas, e para contrariar a epidemia da obesidade, os profissionais de saúde passaram a recomendar dietas com baixo consumo em gorduras, mas os resultados não foram encorajadores, ao contrário. Verificou-se que a diminuição da ingestão de gorduras conduz a um aumento da ingestão de hidratos de carbono, o que está na origem do aumento das chamadas disfunções metabólicas – obesidade, colesterol alto, hipertensão e níveis elevados de glicemia e insulina", explica o fisiologista português Ricardo Silvestre, especialista em fisiologia e metabolismo humano.

É que entre as disfunções metabólicas e a diabetes medeia um pequeno passo. E muitos hidratos de carbono.

 "O termo hidrato de carbono é enganador, na verdade, devíamos falar de sacarídeos, porque o que estamos a ingerir quando comemos batata, arroz, massa, farinha e pão são açúcares que, depois, se transformam em gordura. Apesar deste conhecimento, continua a recomendar-se dietas em que os hidratos de carbono representam 50 a 60 por cento da ingestão calórica diária. Até para as pessoas com diabetes e disfunções metabólicas, o que é um disparate', observa Ricardo Silvestre.

O especialista em fisiologia e metabolismo não se conforma. Diz que os benefícios das dietas com baixos valores de hidratos de carbono são evidentes. Para quem tiver dúvidas, Ricardo Silvestre aconselha a leitura dos trabalhos do professor Jeff S. Volek, da Universidade do Connecticut, um respeitado e reconhecido investigador na área da nutrição, doenças metabólicas e exercício. Foi nesta universidade que o português fez o doutoramento em Fisiologia do Exercício e Metabolismo Humano e continua a integrar os seus grupos de investigação.

As ideias de Ricardo Silvestre vêm ao encontro das tendências mais recentes da nutrição e 
alimentação. Mas mesmo entre as dietas com baixos valores de hidratos de carbono há várias orientações. Ricardo Silvestre não propõe que sejam totalmente eliminados da alimentação, mas diz que quem quer perder peso e manter-se saudável deve ingerir menos hidratos de carbono (até 120 gramas por dia) e privilegiar os que são consumidos pelo homem desde sempre – ou seja, o regresso ao passado. Quais? "Fruta, tubérculos, frutos secos, raízes e legumes. Todos estes alimentos têm açúcar. Quem não quiser prescindir do pão deve optar pelo que é feito com cereais integrais".
A explicação é simples: o nosso organismo não mudou tanto geneticamente como mudou a nossa alimentação. Por isso, de fora do plano alimentar proposto pelo investigador português ficam todos os hidratos de carbono simples e refinados. "São produtos muito tentadores, quer pelo paladar quer pela facilidade com que se adquirem nos supermercados, mas não comportam nenhum benefício para o organismo, ao contrário."

Além da prevenção e do controle de certas doenças, Ricardo Silvestre garante que as dietas com baixos valores de hidratos de carbono dão outros resultados. Em pouco tempo, menos massa gorda, mais músculo e uma silhueta redefinida".

GENOMA

Devido aos danos que o açúcar provoca no organismo, as recomendações em torno do seu consumo têm sofrido grandes alterações nas últimas décadas. E se hoje é consensual que o açúcar com que adoçamos o café é perfeitamente dispensável, o mesmo não se pode dizer dos açúcares provenientes dos cereais, da batata, do feijão, do grão, entre outros. A glucose é energia para o cérebro, medula óssea, retina, rins e glóbulos vermelhos, reconhecem todos os especialistas. A questão é onde a vamos buscar.

O espanhol Maelán Fontes Villalba, especialista em dieta paleolítica, professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Lund, na Suécia, e doutorado em Nutrição, também não tem quaisquer dúvidas sobre os alimentos o­nde devemos ir buscar a glicose: frutas, tubérculos e verduras. O especialista em dieta paleolítica, também conhecida por paleodieta, defende que é dessa glicose que o organismo precisa. Nada de cereais (trigo, milho, centeio, aveia, cevada, arroz) e nada de leguminosas (grão-de-bico ou feijão).

"Da dieta paleolítica excluem-se todos os alimentos que não fizeram parte da nossa alimentação durante o Paleolítico e que foram introduzidos recentemente, após a revolução agrícola e industrial, como é o caso dos cereais, leguminosas, produtos lácteos, óleos vegetais refinados, açúcares refinados e sal".Assim mesmo. O objetivo, mais uma vez, é fazer com que o nosso corpo regresse à alimentação a que se habituou durante a evolução. Maelán Fontes Villalba diz que a introdução dos alimentos do Neolítico [período que começou no décimo milénio antes de Cristo, com o sedentarismo, o surgimento da agricultura e a domesticação de animais] ocorreu num período de tempo muito curto para que o nosso genoma se tenha adaptado corretamente. 

"A alimentação ocidental baseia-se em alimentos que não fizeram parte da evolução do ser humano e, por conseguinte, a maioria das pessoas não se adapta. Mais de 70 por cento da energia da dieta ocidental provém de alimentos que nunca integraram a dieta humana". Consequências? Maelán Fontes Villalba tem resposta pronta. "Os cereais, as leguminosas e os produtos lácteos contém proteínas e glicoproteínas que o nosso aparelho digestivo não pode digerir e que alteram o funcionamento do sistema enzimático, endócrino e imunológico." Ele chama-lhe antinutrientes e exemplifica com o glúten, que não pode ser consumido por pessoas que têm doença celíaca, mas que também está associado a várias doenças autoimunes, como a artrite reumatoide, tiroidite de Hashimoto, esclerose múltipla e diabetes tipo 1.

 Mas há mais: "Por exemplo, as lecitinas. Está comprovado que interferem no mecanismo da saciedade, na distribuição da gordura corporal e na sensibilidade à insulina. Também têm capacidade para estimular o sistema imunológico, o que aumenta o risco de doenças alérgicas e autoimunes." Maelán Fontes Villalba prossegue com o exemplo dos produtos lácteos.

"Há muita confusão. Sabe-se que 65 por cento das pessoas não têm capacidade para digerir a lactose, mas os riscos do leite vão muito para lá disso. Devido ao tipo de proteínas que contém, muito diferentes das da carne, é capaz de induzir uma forte produção de insulina – o leite tem um índice insulínico comparável ao dos hidratos de carbono refinados. E a produção de insulina elevada pode dar origem a várias doenças.

Na Universidade de Lund, na Suécia, Maelán Fontes Villalba integra o grupo de investigação do professor Staffan Lindeberg, o médico que também é a maior sumidade do mundo em dieta paleolítica. Foi Lindeberg que nos 1990 estudou as populações das ilhas Kitava, Trobriand e da Papua Nova Guiné. Intrigava-o o facto de não sofrerem de doenças cardíacas, AVC, diabetes, excesso de peso e hipertensão e verificou que o segredo da sua saúde e longevidade estava no regime alimentar, com muitos tubérculos, frutos e peixe, sem cereais, sal e açúcar. Pouco depois desta investigação, o médico que agora é figura de cartaz em conferências, que faz um pouco por todo o mundo, passou a prescrever a dieta paleolítica para tratar e prevenir as chamadas doenças da civilização – diabetes, obesidade, doenças metabólicas, cardiovasculares e autoimunes.O seu discípulo, Maelán Fontes Villalba faz o mesmo. 

"Durante o Paleolítico, o ser humano sobrevivia com o que caçava e recolhia, principalmente carne, peixe e marisco, ovos, fruta, tubérculos, verduras, frutos secos e mel, de vez em quando. Hoje, ainda há povos que fazem um regime alimentar em quase tudo idêntico ao do período do paleolítico e os seus marcadores de saúde são muito melhores do que os das populações que se alimentam com produtos derivados da agricultura.Mas vivem menos anos, pode argumentar-se". Isso é um mito, alega Maelán Fontes Villalba.

"Podem viver até idades avançadas e na maioria dos casos não são afetados pelas nossas doenças. Isso está comprovado. Tal como está demonstrado que uma dieta rica em peixe, carnes magras, frutas, verduras, tubérculos, ovos e frutos secos é mais eficaz do que uma dieta baseada nas recomendações atuais para pessoas com doença cardiovascular ou diabetes." 

A médica endocrinologista portuguesa Isabel do Carmo considera um mito pensar que na era paleolítica se comia bem.
Segundo ela, pensar nesse tempo como no de um paraíso perdido é puro romantismo e mistificação. "Também hoje as populações africanas ou as populações rurais da Ásia não sofrem destas doenças. Têm uma esperança de vida de 40 anos. De resto, e se considerarmos que a evolução se estabeleceu selecionando seres humanos com regimes benéficos, não podemos esquecer que o ser humano era caçador-recoletor, sendo provavelmente as mulheres as recoletoras.

Ora, entre os vegetais colhidos estavam cereais e outros fornecedores de hidratos de carbono, tal como se demonstra nos dentes dos humanos da época paleolítica. Aí se encontram grãos de amido, tubérculos, raízes. E se caçavam fêmeas em aleitamento, também bebiam o leite. Com a descoberta do fogo todos aqueles vegetais eram amolecidos e faziam as suas sopas com eles, tal como faziam o amolecimento sobre pedras quentes em zonas vulcânicas. Em matéria de vegetais as coisas ficavam mais difíceis em épocas glaciais, mas por isso se davam as migrações."

Isabel explica que atualmente recomenda-se um regime equilibrado nos vários alimentos e nutrientes porque com o desenvolvimento dos conhecimentos em bioquímica sabe-se em quais alimentos estão os nutrientes indispensáveis. Alguns destes, que são as vitaminas, designadas assim porque foram consideradas indispensáveis à vida, encontram-se exatamente nos cereais.

"Sabemos também que os hidratos de carbono de absorção lenta (feijão, grão, batatas, arroz, massa) são o substrato fornecedor de glicose indispensável. Se não os fornecermos, o organismo vê-se obrigado a ir buscá-la através de processos mais complicados que produzem como lixo biológico, acetona, que é tóxica para o organismo.

Claro que nos diabéticos temos de reduzir os hidratos de carbono porque eles não têm ou têm deficiência de insulina. Então temos de lhes dar alguns hidratos de carbono e um medicamento para estimular a produção de insulina ou diminuir a resistência ou mesmo dar a própria insulina." 

Pelo visto o debate está só começando!

 

Observatório de Publicidade de Alimentos

Entenda, aprenda e denuncie | www.publicidadedealimentos.org.br

Orgânicos para o Mundo

Promova e sua rede a alimentação saudável e adequada

Pela Saúde do Coração | Gordura Trans Não

Acesse o site do projeto www.gorduratransnao.com.br