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Adolescentes brasileiros consomem menos ultraprocessados em escolas com regulamentação
Postado em 12/02/2026 | fonte - Jornal da USP | Tabita Said

Estudar em locais que regulamentam a venda de alimentos e bebidas tem um impacto direto no consumo de ultraprocessados por estudantes. Um estudo da USP associou a existência de cobertura normativa em escolas públicas e privadas, a disponibilidade de ultraprocessados nas cantinas escolares e o consumo desses alimentos por adolescentes.

De acordo com a pesquisa, publicada na revista Reports in Public Health, a cobertura normativa sobre a venda de alimentos em escolas de capitais brasileiras pode atuar como um fator de proteção de estudantes para o consumo de ultraprocessados; já a maior disponibilidade desses alimentos em cantinas escolares esteve associada a um maior consumo entre adolescentes. 

O estudo utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), uma pesquisa populacional com estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas nas capitais dos Estados brasileiros. Foram identificadas 51 normas (36 leis, dez portarias, três decretos e duas resoluções) de capitais que regulamentavam a venda de alimentos e bebidas no ambiente escolar. O estudo considerou apenas as normas vigentes no período de aplicação da PeNSE de 2019 que aplicassem algum tipo de imposição ou obrigações legais. 

Nesse cenário, as escolas públicas brasileiras oferecem um ambiente mais protegido devido ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que prioriza alimentos in natura e refeições saudáveis, baseadas no Guia Alimentar para a População Brasileira. Já as escolas privadas contam com maior número de cantinas (88,3%) e dependem mais da aquisição direta de alimentos, o que eleva a exposição aos ultraprocessados. 

Em 2019, apenas 28,7% das escolas particulares ofertavam aos alunos alimentação escolar fora das cantinas, em comparação a 99,4% das escolas públicas. “O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) tem regras para aplicação dos recursos no âmbito do PNAE e, atualmente, estabelece que no máximo 10% dos recursos podem ser utilizados para compra de alimentos ultraprocessados”, comenta Laura Luciano Scaciota, pesquisadora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Faculdade de Saúde Pública (FSP), também da USP.  

De acordo com ela, os adolescentes de regiões com menor capacidade regulatória ficam mais expostos aos ultraprocessados, com impactos no consumo e, consequentemente, na saúde. “Uma lei nacional e mandatória poderia uniformizar esse cenário, garantindo que nenhuma criança ou adolescente tenha acesso à compra de alimentos ultraprocessados nas cantinas escolares”, defende a nutricionista e primeira autora do trabalho. 

Os pesquisadores discutem a escola como um potencial ambiente de aprendizado também para a formação de hábitos alimentares saudáveis. “É nesse espaço que os adolescentes passam grande parte do dia e obtêm uma parcela significativa da ingestão diária de alimentos”, informam no artigo. O grupo aponta, ainda, que uma articulação entre os entes federados é imprescindível, para que uma legislação nacional seja implementada de forma consistente. 

Disparidade geográfica

O estudo identificou desigualdades regionais significativas na implementação de regulamentações relativas à venda de alimentos e bebidas em escolas nas capitais dos estados brasileiros. Das 27 capitais, todas do Sul, Sudeste e Centro-Oeste tinham regulamentações, enquanto a cobertura era menor nas regiões Norte (43%) e Nordeste (56%). A região Sul do Brasil se destacou como a única onde todos os alunos frequentavam escolas com algum tipo de cobertura regulatória.

 Além do levantamento sistemático das normas oficiais, o estudo também utilizou dados autorrelatados sobre a presença de cantinas, disponibilidade e consumo de alimentos ultraprocessados nas escolas. Os dados, extraídos da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), foram obtidos por meio de questionários respondidos por diretores e mais de 81 mil alunos do 7º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio.

Ontem você tomou refrigerante? era uma das perguntas presentes no questionário voltado aos adolescentes, que também contava com questões sobre consumo de suco de caixinha; refresco em pó; achocolatado; iogurte saborizado; salgadinho de pacote; bolacha doce, biscoito recheado ou bolinho de pacote; chocolate, sorvete, gelatina, flan ou outra sobremesa industrializada; salsicha, linguiça, mortadela ou presunto; pão de forma, pão de hot dog ou de hambúrguer; margarina; maionese, ketchup ou outros molhos industrializados; macarrão instantâneo ou outro prato pronto comprado congelado.

 A disponibilidade de alimentos ultraprocessados nas cantinas escolares foi avaliada por um escore que varia de 0 a 9. Para cada resposta “sim” para às perguntas sobre a venda de alimentos na cantina, um ponto foi adicionado ao escore. O consumo de alimentos ultraprocessados pelos alunos foi avaliado por um escore que varia de 0 a 13. Para cada resposta “sim” às perguntas do módulo de consumo alimentar, um ponto foi adicionado ao escore. 

Com relação ao consumo, o estudo indicou que frequentar escolas com cobertura normativa esteve associado a uma redução de -0,10 pontos na pontuação de consumo. A análise também demonstrou que a disponibilidade de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares foi associada a um aumento de 0,02 pontos na pontuação de consumo. Aproximadamente um terço dos estudantes de 13 a 17 anos comprava alimentos em cantinas escolares pelo menos uma vez por semana.

“O consumo de ultraprocessados foi avaliado pela ingestão de alimentos no dia anterior à entrevista, que inclui o consumo dentro e fora da escola. Os achados mostram que adolescentes que frequentam escolas em que há regulamentação apresentam menor consumo total de alimentos ultraprocessados. Portanto, é possível que as normas influenciem o consumo fora desse ambiente”, afirma Laura Luciano Scaciota

A hipótese geral do estudo é de que as normas reduzem a disponibilidade de alimentos ultraprocessados nas escolas e influenciam a percepção dos alunos sobre o que é saudável. O trabalho não avaliou se as normas vigentes são realmente cumpridas ou fiscalizadas, mas utilizou a presença de ambulantes no entorno das escolas como variável de ajuste das análises. 

“Em outras palavras, analisamos a associação entre a regulamentação da venda de ultraprocessados nas cantinas e o consumo, independentemente da presença de ambulantes no entorno das escolas. Pesquisas anteriores já mostraram que os alimentos comercializados nas proximidades das escolas podem influenciar o consumo de alimentos por estudantes. Ao incluir essa informação na análise, buscamos isolar o efeito das normas aplicadas às cantinas escolares”, explica a pesquisadora. Por isso, regulamentações que incluam o entorno escolar podem ser relevantes e contribuir para a promoção de um ambiente alimentar mais saudável. 


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