Adoçantes merecem mais atenção e cuidado

Postado em 22/05/2018 |

Por Eunice Zhang* / Universidade de Michigan
 
Os adoçantes artificiais estão em toda parte, mas ainda não se sabe se esses químicos são inofensivos. Também chamados de adoçantes não nutritivos, podem ser sintéticos, como sacarina e aspartame, ou naturalmente derivados, como a estévia. Nos EUA, são reconhecidos seis tipos de adoçantes artificiais e dois naturais para uso em alimentos [seis desses são permitidos no Brasil]. 
 
Essa tem sido uma ótima notícia para aqueles que trabalham duro para reduzir seu consumo de açúcar. O aspartame, por exemplo, é encontrado em mais de 6 mil alimentos em todo o mundo, e cerca de 5 mil a 5,5 mil toneladas são consumidas a cada ano apenas nos Estados Unidos.
 
A Associação Americana de Diabetes — o grupo profissional mais respeitado com foco no diabetes — recomenda oficialmente o refrigerante diet como alternativa às bebidas açucaradas. Até o momento, sete municípios dos EUA impuseram um imposto sobre bebidas açucaradas para desestimular o consumo.
 
No entanto, estudos médicos recentes sugerem que os formuladores de políticas ansiosos por implementar um imposto sobre o refrigerante também podem querer incluir bebidas dietéticas, porque esses adoçantes podem estar contribuindo para o diabetes crônico e doenças cardiovasculares também.
 
Por que esses adoçantes são livres de calorias?
 
A chave para esses adoçantes virtualmente livres de calorias é que eles não são decompostos durante a digestão em açúcares naturais como glicose, frutose e galactose, que são usados ​​para energia ou convertidos em gordura.
 
Os adoçantes não nutritivos têm diferentes subprodutos que não são convertidos em calorias. O aspartame, por exemplo, sofre um processo metabólico diferente que não produz açúcares simples. Outros, como a sacarina e a sucralose, não são discriminados, mas são absorvidos diretamente na corrente sanguínea e excretados na urina.
 
Teoricamente, esses adoçantes devem ser uma escolha “melhor” do que o açúcar para diabéticos. A glicose estimula a liberação de insulina, um hormônio que regula os níveis de açúcar no sangue. Diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não responde mais à insulina como deveria, levando a níveis mais altos de glicose no sangue que danificam os nervos, os rins, os vasos sanguíneos e o coração. Como os adoçantes não nutritivos não são realmente açúcares, eles deveriam evitar esse problema.
 
Adoçantes artificiais, seu cérebro e seu microbioma
 
No entanto, há evidências crescentes ao longo da última década de que esses adoçantes podem alterar processos metabólicos saudáveis ​​de outras maneiras, especificamente no intestino.
 
O uso a longo prazo desses adoçantes tem sido associado a um risco maior de diabetes tipo 2 . Adoçantes, como a sacarina, mostraram alterar o tipo de função do microbioma intestinal, a comunidade de micro-organismos que vivem no intestino. O aspartame diminui a atividade de uma enzima intestinal que é normalmente protetora contra o diabetes tipo 2.
 
Além disso, essa resposta pode ser exacerbada pelo “descompasso” entre o corpo percebendo algo como sabor doce e as calorias que são esperadas. Quanto maior a discrepância entre a doçura e o conteúdo calórico real, maior a desregulação metabólica.
 
Adoçantes também mostraram alterar a atividade cerebral associada a comer alimentos doces. Um exame de ressonância magnética funcional, que estuda a atividade cerebral medindo o fluxo sanguíneo, mostrou que a sucralose, em comparação com o açúcar comum, diminui a atividade da amígdala, uma parte do cérebro envolvida na percepção do paladar e na experiência de comer.
 
Outro estudo revelou que o consumo elevado de refrigerante dietético a longo prazo está ligado a uma menor atividade na “cabeça caudada” do cérebro, uma região que media o caminho da recompensa e é necessária para gerar uma sensação de satisfação.
 
Os pesquisadores levantaram a hipótese de que essa atividade diminuída poderia levar um consumidor de refrigerantes a compensar a falta de prazer aumentando o consumo de todos os alimentos, não apenas do refrigerante.
 
Juntos, esses estudos celulares e cerebrais podem explicar por que as pessoas que consomem adoçantes ainda têm um risco maior de obesidade do que as pessoas que não consomem esses produtos.
 
Conforme o debate sobre os prós e contras desses substitutos do açúcar continua, devemos ver esses estudos comportamentais com cuidado. Muitos dos que bebem refrigerantes dietéticos — ou qualquer indivíduo que consuma adoçantes sem calorias — já têm os fatores de risco para obesidade, diabetes, hipertensão ou doença cardíaca.
 
Aqueles que já estão com sobrepeso ou obesos podem apostar em bebidas de baixa caloria, fazendo parecer que os refrigerantes dietéticos estão causando seu ganho de peso. Esse mesmo grupo também pode ser menos propenso a moderar seu consumo. Por exemplo, essas pessoas podem pensar que beber refrigerante dietético várias vezes por semana é muito mais saudável do que um com açúcar.
 
Essas descobertas indicam que os consumidores e profissionais de saúde precisam questionar nossas suposições sobre os benefícios para a saúde desses produtos. Adoçantes estão em toda parte, de bebidas a molhos para salada, de biscoitos a iogurte, e devemos reconhecer que não há garantia de que esses produtos químicos não aumentem a carga de doenças metabólicas no futuro.
 
Como médica especializada em prevenção geral e saúde pública, gostaria de poder dizer aos meus pacientes quais são os verdadeiros riscos e benefícios se beberem refrigerante dietético em vez de água.
 
Os legisladores que consideram os impostos de refrigerante para incentivar melhores hábitos alimentares talvez devam pensar em incluir alimentos com adoçantes não nutritivos.
 
Claro, há um argumento a ser feito para ser realista e perseguir o menor de dois males. Mas mesmo que as conseqüências negativas dos substitutos do açúcar não influenciem nossa política fiscal — pelo menos por enquanto — a comunidade médica deve ser honesta com o público sobre o que pode perder ou ganhar consumindo esses alimentos.

* Eunice Zhang é pesquisadora clínica em Medicina Preventiva na Universidade de Michigan.
Escreveu originalmente em inglês no The Conversation.

fonte: Revista Galileu

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