"Falta diagnóstico correto da doença celíaca no Brasil"

Postado em 19/06/2017 |

19/06/2017

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, 1% da população mundial tem a doença celíaca, mas no Brasil “não há uma estatística que defina o número de vítimas da doença. A afirmação é de Mirian Francisca, representante da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), que ocupa pela primeira vez uma vaga no do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). 
 
Em entrevista ao portal do Consea, Miriam destacou que é preciso seguir um “protocolo químico” para que os diagnósticos sejam mais precisos, evitando o desenvolvimento de outras doenças já que a doença é autoimune. Entre as maiores dificuldades que os celíacos enfrentam a conselheira aponta a dificuldade de acesso ao alimento adequado, isso porque às vezes ele é saudável, mas não é adequado. 
 
"Por exemplo, às vezes temos um bolo bonito e com todos os nutrientes, porém, é feito com farinha de trigo. Hoje temos os produtos in natura, mas não há uma divulgação em massa deles. Há estados que já têm as gôndolas especiais para produtos de consumo dos celíacos, no entanto, por não haver uma legislação, muitas vezes um produto como a farinha de arroz fica acondicionado perto da farinha de trigo, isto é um problema porque há celíacos que têm mais sensibilidade e esse simples pó pode fazer mal. Em restaurantes ou quando vamos comer fora de casa sempre temos que saber os ingredientes dos alimentos."
 
Segundo Mirian, o diagnóstico da doença é outro grande bloqueio. Por não haver uma estatística oficial que defina o número de vítimas da doença no Brasil há, por consequência, problemas com o auxílio no Sistema Único de Saúde (SUS). "Como os sintomas confundem muito, os médicos ainda não têm informação e em vez de doença celíaca diagnosticam como azia, intestino irritado ou gastrite, daí medicam sem fazer o simples exame de sangue, e não descobrem se o paciente é celíaco ou não. Isso faz com que não apareçamos nas estatísticas. Se formos reivindicar alguma coisa por quantidade, não temos essa estatística de celíacos", disse.
 
Mirian Francisca defende ainda que as políticas públicas tanto de saúde como da área de alimentos sejam realmente aplicadas e que seja definido um protocolo químico do SUS para os não diagnosticados. Mudanças também devem ser adotadas na rotulagem de alimentos. "Às vezes nos surpreendemos com um produto que há muito tempo vem colocado como “não contém glúten” e, de repente, a indústria fez tal produto no mesmo espaço que os produtos com glúten são feitos. Então há uma contaminação cruzada. Hoje você já tem produtos que têm a descrição “contém traços de glúten”. Isso se tornou obrigatório a partir da Lei 10674, que obriga a indústria a informar a presença da substância. No entanto, essa lei não foi regulamentada. 

fonte: Com informações do Consea/Beatriz Evaristo

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